Porque repetimos os erros dos nossos pais no amor: como os guiões familiares regem as nossas escolhas

Prometemos a nós próprios que nunca gritaríamos com os nossos filhos ou viraríamos as costas friamente numa discussão como a mãe ou o pai.

Mas no momento crítico apanhamo-nos a dizer as mesmas frases, a usar as mesmas manipulações, relata o correspondente da .

O guião familiar não é apenas uma memória, é um programa cosido nos nossos algoritmos comportamentais. Aprendemos a amar observando o primeiro casal da nossa vida – os nossos pais.

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O seu padrão de comunicação, de lidar com conflitos e de mostrar ternura torna-se uma norma inconsciente para nós. Mesmo que seja disfuncional, é visto como o “único amor possível” e somos levados a reproduzi-lo.

Os psicólogos chamam a este fenómeno “repetição forçada”. Inconscientemente, escolhemos parceiros que nos recordam emocionalmente adultos significativos da nossa infância, tentando “consertar” o trauma antigo, para o reproduzir com um final diferente.

Mas, na maior parte das vezes, o que acontece é que a repetição é mais do que a correção. Por exemplo, a filha de uma mãe autoritária pode subconscientemente procurar um parceiro igualmente dominante, na esperança de finalmente ganhar a sua aprovação e vencer.

O filho de um pai distante pode escolher mulheres emocionalmente indisponíveis, procurando alcançar alguém que não conseguiu alcançar em criança. É uma perseguição fantasma exaustiva.

Reconhecer este mecanismo é o primeiro e mais importante passo para a liberdade. É preciso analisar honestamente os padrões que herdámos.

Silencia os conflitos como a sua mãe? Ou explode por nada, como o seu pai? Vê o seu parceiro como uma figura parental, à espera da sua ajuda ou aprovação?

Os especialistas na área da terapia familiar aconselham a fazer o seu próprio “genograma familiar” – um esquema das relações significativas na sua família, anotando cenários recorrentes: divórcios, infidelidades, inibições emocionais. Isto ajuda a ver não uma tragédia pessoal, mas um padrão sistémico que pode ser quebrado.

A experiência pessoal dos que fizeram este trabalho mostra que o momento da epifania pode ser simultaneamente amargo e libertador. Apercebemo-nos de que a nossa raiva ou o nosso silêncio gelado não são a nossa essência, mas uma linguagem aprendida.

E uma vez que foi aprendida, é possível aprender uma nova linguagem que seja mais ecológica para si e para o seu parceiro. Este trabalho requer tempo e, muitas vezes, a ajuda de um psicólogo.

Mas o resultado vale a pena – tem-se a oportunidade de construir relações não a partir de traumas e défices de infância, mas a partir de uma posição adulta e consciente. Deixamos de ser uma marioneta do programa antigo e começamos a escrever o nosso próprio guião.

Quebrar o ciclo vicioso é o ato de amor mais corajoso para si, para o seu parceiro e para os seus futuros filhos. Dá-lhes um legado diferente – não um conjunto de feridas, mas um exemplo de ligação saudável. E é talvez a transformação mais significativa que uma pessoa pode fazer.

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