Já reparou em gotas âmbar e espessas no tronco ou nos ramos das árvores de fruto que parecem cola solidificada?
Esta goma não é apenas um defeito estético, mas um grito de socorro, um sintoma de uma doença perigosa chamada gengivite, ou gomose, relata um correspondente da .
Uma planta submetida a um stress devido a uma doença, a uma geada, a uma poda inadequada ou a um excesso de azoto rasga literalmente os seus tecidos de dentro para fora, segregando esta seiva como resposta de defesa aos danos causados ao câmbio.
Na maioria das vezes, este problema afecta as culturas de caroço – cerejas, ameixas, damascos e pêssegos, transformando os seus troncos na semelhança de um pinheiro mutilado pela resina. Os principais responsáveis são as infecções fúngicas, como a klasterosporiose ou a moniliose, que enfraquecem a árvore, e as queimaduras solares da casca no final do inverno.
A minha ameixeira começou a “chorar” depois de um inverno anormalmente gelado e sem neve, quando o sol forte de fevereiro queimou literalmente a casca tenra do lado sul do tronco. A luta contra a gomose não começa com a cobertura das feridas com verniz de jardim, mas com a descoberta e a eliminação da causa principal.
É necessário limpar bem o local de escorrimento da goma com uma faca afiada para madeira sã, desinfetar a ferida com uma solução a 1% de sulfato de cobre e só depois aplicar uma pasta cicatrizante. Se a culpa for de um fungo, será necessária toda uma série de tratamentos com preparações contendo cobre ou fungicidas sistémicos durante a estação, não só para a árvore doente, mas também para todos os vizinhos do jardim.
O melhor tratamento, como sempre, é a prevenção. Inclui a caiação dos troncos e dos ramos esqueléticos, não na primavera, mas no final do outono, para proteger a casca das queimaduras do inverno e do início da primavera.
A poda dos frutos de caroço deve ser efectuada apenas com o tempo seco e na época recomendada para a região, sendo necessário limpar todos os cortes com um diâmetro superior a 1 cm. O equilíbrio da alimentação é extremamente importante: uma adubação azotada excessiva, sobretudo na segunda metade do verão, leva a um crescimento ativo dos tecidos que não têm tempo de amadurecer e se tornam vulneráveis.
A doença das gengivas é um sinal de perigo que não pode ser ignorado. Uma árvore com gomose está lenta mas seguramente exausta, a sua resistência invernal diminui, o seu rendimento torna-se fraco e, eventualmente, pode morrer.
A atenção a estas “lágrimas” ajuda a diagnosticar a tempo problemas profundos e a salvar a planta, devolvendo-lhe a saúde e o vigor para uma longa frutificação. Trata-se de um diálogo em que o jardineiro deve aprender a compreender a linguagem silenciosa do seu jardim.
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