Estamos habituados a guardar a beleza para ocasiões especiais e a usar pratos esfarrapados e guardanapos amarrotados no dia a dia.
Isto diminui impercetivelmente o valor do momento atual, criando a sensação de que a vida real está algures mais à frente, e não aqui e agora, relata um correspondente do .
Tire das prateleiras o mesmo conjunto que tem estado a ganhar pó “para os convidados”, ou compre simplesmente um conjunto de talheres bonitos e um par de pratos de cerâmica numa cor neutra. Comece a usá-los todos os dias, para si e para a sua família.
Não é necessário cozinhar algo complicado – até os bolinhos de massa ou os ovos mexidos têm um aspeto diferente na porcelana e não no plástico. O processo de servir – estender um guardanapo, colocar um copo de água, colocar uma colher paralela à faca – demora três minutos, mas o efeito dura toda a noite.
Este pequeno ritual envia uma mensagem poderosa ao subconsciente de que “o meu tempo e a minha paz são importantes”. A comida deixa de ser um mero combustível, tornando-se num evento pequeno mas significativo que é respeitado e separado.
As crianças, ao verem esta atitude em relação ao comum, aprendem uma lição não verbal de cuidado com a vida quotidiana e com elas próprias. Aprendem não a contrastar férias e vida quotidiana, mas a deixar que um pouco de férias entre na rotina diária.
Psicologicamente, servir bem ajuda a abrandar o ritmo e a começar a comer conscientemente, saboreando a comida em vez de a engolir em frente a um ecrã. Esta é uma forma direta de melhorar a digestão e de apreciar verdadeiramente a comida.
Com o tempo, pode acrescentar pormenores simples: uma pequena jarra com um único ramo, uma vela num castiçal, um guardanapo kraft debaixo de uma chávena. Estas pequenas coisas não requerem muito dinheiro, mas mudam drasticamente o ambiente, transformando a cozinha num café acolhedor.
A estética da vida quotidiana não tem a ver com o Instagram, tem a ver com o estado interior. Quando nos rodeamos de beleza nas pequenas coisas, reconhecemos o valor da nossa própria vida neste momento, e não num hipotético futuro brilhante.
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