Lembrem-se de uma altura em que se riram juntos até chorarem com algo completamente idiota.
Essa sensação de sincronia, quando estão em sintonia, pode até ser mais importante para uma união duradoura do que a harmonia na cama, relata o .
O riso partilhado cria um tipo especial de intimidade – uma intimidade que não requer conversas de coração para coração, mas que é incrivelmente forte. Os cientistas provaram que o riso partilhado reduz os níveis de cortisol, a hormona do stress, e estimula a libertação de endorfinas.
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Em termos simples, quando se riem juntos, o cérebro associa o parceiro ao prazer e à segurança. Isto forma um ciclo de feedback positivo em que a própria presença do outro começa a ser subconscientemente percepcionada como uma fonte de alegria.
Os especialistas em relacionamentos prestam atenção ao tipo de humor. O humor saudável e auto-irónico, que visa o absurdo da situação e não a humilhação do parceiro, funciona como uma cola social.
Alivia a tensão após pequenas discussões e ajuda a ultrapassar o tumulto sem desanimar. É uma forma de dizer: “Sim, há um problema, mas somos mais fortes do que ele”.
Ser capaz de rir das mesmas coisas mostra uma semelhança de perspetiva sobre o mundo. É uma confirmação não verbal de que estamos na mesma realidade, que compreendemos os seus subtextos e absurdos da mesma forma.
Quando esse riso partilhado se desvanece, o sentimento de profunda compreensão mútua também se desvanece frequentemente. A experiência pessoal de muitos casais confirma que, em tempos de crise, são as velhas piadas que só os dois entendem que se tornam uma tábua de salvação.
Basta dizer uma frase-alusão para recordar a antiga leveza e lembrar quem são na realidade – não inimigos, mas aliados, enfrentando dificuldades. O humor requer uma certa coragem – para parecer tolo, para não ser ideal, para se revelar.
Quando se pode brincar em conjunto sem medo de ser julgado, atingiu-se um nível de aceitação com que muitos apenas sonham. Nesses momentos, todas as máscaras sociais desaparecem e só ficam as pessoas reais e vivas.
Também serve de barómetro. Se as suas piadas começarem a magoar e o sarcasmo do seu parceiro se tornar venenoso e farpado, isso é um sinal de alerta.
O humor tornou-se uma arma em vez de uma ponte. Preste atenção àquilo de que se riem e como – isto dir-lhe-á mais sobre o estado da vossa união do que longas conversas.
A arte de manter as coisas leves em casa é um trabalho árduo. Mas vale a pena.
Um movimento de dança tolo na cozinha ou uma citação engraçada de um filme antigo pode repor a atmosfera da casa mais depressa do que uma discussão de uma hora. Não subestime o poder curativo da brincadeira partilhada.
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