Vivemos num mundo em que temos de ser fortes e bem-sucedidos, especialmente nas redes sociais.
Mas tentem recordar um momento em que sentiram mais intimidade com o vosso parceiro. O mais provável é que tenha sido uma conversa não sobre conquistas, mas sobre medos ou fracassos, relata o .
Vulnerabilidade não é fraqueza, mas ousar ser verdadeiro sem a garantia de uma resposta positiva. É o risco que corremos para sermos amados não por uma máscara perfeita, mas pelo nosso eu autêntico.
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Muitas pessoas têm medo de se abrir porque foram magoadas ou ridicularizadas no passado. A parede protetora que erguem protege-as da dor, mas também bloqueia o caminho para uma ligação profunda. Permanece-se seguro, mas sozinho.
Os psicólogos dizem que mostrar vulnerabilidade actua como uma cola social. Quando uma pessoa partilha algo íntimo, dá permissão a outra pessoa para fazer o mesmo. É assim que se cria reciprocidade emocional e confiança.
Experimente começar com algo pequeno: não partilhe um medo global, mas um pequeno contratempo ou aborrecimento de hoje. Observe a reação do seu parceiro. A aceitação e o apoio nas pequenas coisas dão-lhe a confiança para revelações maiores.
O paradoxo é que os nossos traços “não-ideais” – ansiedade, inseguranças, erros do passado – são muitas vezes as pontes para o coração da outra pessoa. Eles vêem-na como uma alma gémea em vez de uma imagem suave mas fria.
O medo de ser rejeitado pela sua verdadeira identidade é um dos mais fortes da natureza humana. Mas é a vontade de aceitar este risco que distingue as relações profundas das ligações superficiais.
A experiência pessoal de muitos casais é que o momento em que ambos se permitem chorar ou confessar a sua impotência é um ponto de viragem. As máscaras caem e começa a verdadeira história de duas pessoas vivas, não das suas projecções ideais.Aprender a aceitar a vulnerabilidade do seu parceiro é tão importante como mostrar a sua própria vulnerabilidade. Frases como “não te preocupes” ou “esquece” podem desvalorizar os sentimentos. É melhor estar presente, reconhecendo: “Sim, isto é muito difícil. Estou contigo”.
É preciso coragem para dizer: “Preciso de ajuda”, “Tenho medo de perder isto” ou “Magoaste-me”. Mas essas frases são ferramentas para construir uma base forte, não armas, como às vezes parecem ser.
A cultura condena a vulnerabilidade, especialmente nos homens, equiparando-a a fraqueza. Mas no espaço privado das relações, esta regra deve ser reconsiderada. Sem ela, a intimidade continua a ser apenas física.
Comece por si próprio. Permita-se ser imperfeito aos seus próprios olhos. Depois, deixará de esperar a perfeição do seu parceiro e o ambiente no casal tornar-se-á mais fácil e sincero.
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